Terapia da Fala
“Tornando a comunicação eficaz, um direito humano, acessível e alcançável para todos.”
ASHA - American Speech-Language Hearing Association
O Terapeuta da Fala é o profissional de saúde responsável pela prevenção, avaliação, diagnóstico e intervenção das perturbações da comunicação humana, englobando as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita assim como outras formas de comunicação não-verbal (ASHA – American Speech-Language_Hearing Association). É também o profissional responsável pelo tratamento das perturbações da deglutição (IALP – International Association of Communication Sciences and Disorders).
Avaliação e Diagnóstico
A avaliação pressupõe um estudo completo de todos os aspetos funcionais da competência comunicativa e das suas perturbações inerentes, observados no indivíduo, tendo em conta as suas preocupações/queixas e as suas necessidades. É por meio da avaliação objetiva e observação clínica que é estabelecido o diagnóstico e que o Terapeuta da Fala formula hipóteses acerca da natureza e duração da intervenção.
Intervenção
As ações terapêuticas do Terapeuta da Fala têm dimensões técnicas, relacionais e sociais, com atuações no sentido da prevenção da ocorrência ou agravamento das alterações/dificuldades supracitadas por meio de informação, orientação e aconselhamento, e rastreios para despiste precoce de perturbações na criança e/ou no adulto.
A intervenção do Terapeuta da Fala deve incluir uma intervenção direta com o indivíduo e uma intervenção indireta que passa por orientar a própria pessoa e/ou os seus cuidadores a realizarem atividades e tarefas durante o contexto do dia-a-dia, que cumpram os objetivos da terapia da fala.
O objetivo primordial da Terapia da Fala é potenciar as competências comunicativas e/ou as funções estomatognáticas, contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida do indivíduo.
Áreas de intervenção do Terapeuta da Fala
Comunicação e Linguagem
A comunicação ocorre desde os primeiros tempos de vida, a um nível pré-linguístico, sendo esta fase de uma importância extrema para a vinculação, regulação e autodeterminação do bebé.
A partir de um ano de idade a estreita relação entre competências comunicativas e linguísticas torna-se cada vez mais evidente, assumindo-se a linguagem como uma ferramenta essencial para suprir as necessidades comunicativas.
A aquisição da linguagem é uma das realizações mais notáveis dos primeiros anos de vida. O seu desenvolvimento é um processo muito complexo que implica pensar, construir frases, escolher as palavras, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, tudo numa fração de segundos, de modo a partilhar sentimentos, ideias, valores, factos e pensamentos. É um processo gradual, diferente e específico de cada criança, ainda que dentro de limites do esperado, e depende de uma série de fatores: maturação neuropsicológica, afetividade, desenvolvimento cognitivo, até contextos nos quais a criança e/ou jovens estão inseridos.
Linguagem na Criança – Linguagem Oral e Linguagem Escrita
As alterações de linguagem poderão afetar um ou mais domínios linguísticos: fonológico, morfológico, sintático, semântico e/ou pragmático com elevado impacto na socialização, desempenho escolar e qualidade de vida das crianças, jovens e das suas famílias. Podem apresentar-se quer na linguagem verbal oral quer na linguagem verbal escrita, comprometendo o processo comunicativo com maior ou menor impacto.
Linguagem no Adulto – Linguagem Oral e Linguagem Escrita
As alterações da linguagem podem também ocorrer nos adultos, sendo neste caso uma patologia adquirida, decorrente de uma lesão cerebral (AVC – Acidente Vascular Cerebral, tumores, traumatismos, entre outras). A perturbação da linguagem mais frequente tem o nome de afasia.
Dada a estreita relação de interdependência entre linguagem e todas as dimensões biológica, cognitiva e social, é de esperar uma igual complexidade e variedade de perturbações que podem alterar a linguagem e influenciar, de alguma forma, a comunicação e interação entre as pessoas, com diferentes graus de gravidade.
Considerando que podem ocorrer alterações profundas da linguagem (oral e escrita), não é difícil imaginar o impacto da afasia na qualidade de vida das pessoas que com ela passam a conviver.
Fala
A fala pode ser caracterizada quanto à articulação (produção de sons realizada pelos articuladores), ressonância (equilíbrio do fluxo aéreo entre o nariz e a boca), voz (é produzida pela vibração das pregas vocais na laringe), fluência/ritmo (diz respeito ao débito) e prosódia (está relacionada com a acentuação e entoação das palavras e frases que transmitem emoções e atitudes).
A Disartria é uma alteração da fala de origem neurológica (AVC, TCE – Traumatismo Cranioencefálico, paralisia cerebral, doença de Parkinson, ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica, entre outras), em que o tipo e a gravidade da disartria dependem da localização, do tipo e da extensão da lesão cerebral. Carateriza-se, de modo geral, por uma lentificação do discurso, ou aumento da fluência do mesmo, “arrastar” das palavras, intensidade vocal muito baixa (sussurro), alterações na prosódia e na ressonância, bem como por dificuldades no que diz respeito à mobilidade dos músculos responsáveis pela fala.
Articulação
As perturbações dos sons da fala podem decorrer de uma dificuldade motora/articulatória relacionada com uma alteração musculoesquelética ou com o conhecimento intuitivo e com a organização mental das diferentes unidades fonológicas, deficitários ou ainda em fase de desenvolvimento. As dificuldades de produção podem surgir devido a um fator isolado ou a uma combinação de fatores, entre os quais se destacam fonéticos (articulação), fonémicos (cognitivo-linguístico), estruturais (craniofacial), percetuais ou neuromotoras.
Fluência
A fluência é a capacidade de uma pessoa falar com facilidade, encadeando sons, sílabas, palavras e frases na linguagem oral. A fala fluente caracteriza-se por um discurso com um fluxo natural, sem esforço associado, com uma velocidade de fala típica, em que podem ocorrer algumas hesitações, revisões ou reformulações.
A perturbação da fluência ou Disfluência (Gaguez) é uma condição multifatorial, com uma componente neurobiológica que afeta a forma como o cérebro processa a fala. Caracteriza-se por descontinuidades no discurso que poderão ser acompanhadas por alterações na velocidade de fala, desconforto e inibição comunicativa.
Voz
A voz pode ser definida fisiologicamente como um som audível resultante da atividade laríngea, com inter-relação complexa entre pressão e velocidade do fluxo de ar expiratório (influenciam a intensidade), os diferentes padrões de adução e abdução das pregas vocais (influenciam a sonoridade) e as propriedades de reflexão e configuração das estruturas do trato vocal (influenciam a ressonância). Ter uma voz saudável contribui para a qualidade de vida e para a funcionalidade comunicativa.
A disfonia, ou perturbação da voz, é uma condição de saúde muito comum que pode comprometer a qualidade da comunicação e, consequentemente, a relação social do indivíduo, afetando diretamente a sua qualidade de vida, podendo ocorrer em qualquer altura do ciclo de vida O impacto de uma alteração vocal na qualidade de vida depende da importância da voz relacionada a diversos fatores particulares, inclusive seu uso na profissão.
Motricidade Orofacial
A Motricidade Orofacial abrange o estudo, habilitação e a reabilitação dos aspetos estruturais e funcionais, das regiões orofaciais e cervicais permitindo uma compreensão holística das condições anatómicas e funcionais do sistema estomatognático. O crescimento e desenvolvimento da face e das estruturas do sistema estomatognático não dependem apenas de fatores genéticos, mas também de estímulos externos que estão inseridos nas funções deste sistema: respiração, sucção, mastigação, deglutição, fala, mímica facial, entre outras.
Qualquer alteração na motricidade orofacial poderá levar a um desequilíbrio do sistema estomatognático, nomeadamente alterações nos músculos orofaciais e suas respetivas funções, com um impacto negativo tanto na saúde oral como na saúde global de cada indivíduo. Abrange o desenvolvimento desde o período gestacional até ao processo natural de envelhecimento.
Deglutição
A disfagia é uma perturbação da deglutição podendo ocorrer em qualquer uma das suas fases (preparatória oral, oral, faríngea e esofágica). Tem diferentes etiologias (neurológicas, mecânicas e outras) e pode afetar o indivíduo em qualquer etapa da sua vida.
